Caso você trabalhe para uma empresa que tenha a
melhor gestão, que uma administração pode oferecer, caso esta empresa consiga
entregar o melhor produto do mundo, com a melhor tecnologia e com o menor custo
não, necessariamente, você se pode considerar um profissional em ambiente
confortável. Pois, se a demanda para o seu produto deixar de existir, você como
dono da empresa estará falido, como empregado será demitido.
No início da pandemia causada pelo corona vírus o
impacto sobre a economia chinesa foi tão devastadora (queda de dois dígitos nas
três principais índices chineses: produção industrial, vendas no varejo e
investimentos em ativos fixos). Caíram por dois dígitos.
Por isso nas autoridades iranianas, na época apenas
os dois países sofriam com a doença, apostavam que se tratava de uma arma
biológica desferida pelos EUA e Israel. Quando ela se espalhou pela Itália,
ainda assim, se desconfiava de uma bioarma, afinal a Itália acordou com a China
a sua entrada na rota da seda.
O governo
chinês trabalhou duro com criação de hospitais em poucos dias e manutenção de
isolamento. Hoje podemos dizer que a China se livrou da pandemia e já há vários
dias em que o país da seda não tem mais nenhuma baixa por covid-19.
Com toda sua indústria recuperada e pronta para
voltar aos trilhos, a nova locomotiva da economia mundial enfrenta o pior dos
problemas. Não há demanda mundial. Sem demanda não se pode vender, produzir,
gerar renda e garantir empregos.
Os EUA nunca viram algo assim. Na quinta-feira
passada, foi anunciado que mais 3,8 milhões de americanos perderam seus
empregos na última semana. O tsunami de perda
de emprego continua a crescer e, nesse momento, já soma um total de 30,3
milhões de norte americanos.
Atualmente, cerca de 30,3 milhões de pessoas
pediram ajuda sem emprego nas seis semanas desde que o surto de coronavírus
começou a forçar milhões de empregadores a fecharem suas portas e reduzirem a
força de trabalho. É de longe a pior série de demissões já registrada na
história dos gringos.
De acordo com números do "Federal Reserve",
mais de 152 milhões de americanos estavam trabalhando em fevereiro, e esse foi
o recorde do país.
Portanto, perder 30,3 milhões de empregos em seis semanas significa que um
quinto de todos os empregos nos Estados Unidos desapareceu oficialmente em
apenas um mês e meio.
Tudo pode ser do que isso, porque milhões de
americanos ainda conseguiram registrar com êxito as reivindicações, porque os
sites estatais do desemprego estão sobrecarregados. Basta verificar esses
números verdadeiramente alarmantes do Instituto de Política Econômica que constatou
que, para cada 10 pessoas que declararam desemprego com sucesso nas quatro
semanas anteriores, quatro tentaram se inscrever, mas não conseguiram devido à
sobrecarga nos sites.
Além disso, outras duas pessoas nem se deram ao
trabalho de tentar, porque parecia muito difícil. Os sites estatais de
desemprego nunca foram projetados para lidar com esse tipo de demanda. Para os
norte americanos desempregados, tentar obter os benefícios que será uma
experiência extremamente frustrante.
No Brasil estamos seguindo pelo mesmo caminho dos
Estados Unidos. Em Fortaleza as notícias de demissões não param de circular.
Hoje um contador, que estava consertando seu celular estava em uma loja que
burlava o confinamento, confessou que todas as empresas que prestava serviços
estavam ruins das pernas antes mesmo da pandemia. Após a pandemia, demitiram
todos seus funcionários e deverão abrir falência. Sua preocupação era que seu
celular virou meio de vida, por vendas na internet, já que como contador talvez
não mais recebesse por seus serviços de para piorar sua esposa havia sido
demitida.
Nos EUA, um senhor recentemente demitido sentou-se
em frente ao seu computador, na terça-feira, e tentou se registrar no
Departamento do Trabalho de Maryland, para estender seu seguro-desemprego. Às
9h30, ela era o número 88.000 na fila, de acordo com o site trabalhista do
estado.
Além do desemprego as vendas no varejo despencaram.
Por exemplo, projeta-se que as vendas de automóveis nos EUA caiam mais
da metade em comparação com abril do ano passado. Este é o mês de menor volume de vendas que remonta
a pelo menos 1990; pior até que na crise de 2008.
A empresa de roupas J. Crew está se preparando para
um pedido de falência que pode ocorrer no final de semana. A J. Crew, de
capital fechado, está trabalhando para garantir US$ 400 milhões só em
financiamento para operações de falência.
O COVID-19 criou um ambiente de medo e, as
instituições financeiras restringem o fluxo de crédito nesse ambiente. Isso
aconteceu durante a última crise financeira e está começando a acontecer
novamente agora. Em toda a América,
as condições de empréstimos ficarem muito mais rígidas e a Wall Fargo acaba de
anunciar que não aceitarão mais pedidos de linhas de crédito para compra de
imóveis por causa da incerteza ligada à pandemia de coronavírus.
Todo o nosso sistema depende de crédito fácil, e
essas condições variáveis criarão um caos para o futuro próximo. Os americanos
vão ter mais dificuldade para aprovar empréstimos para habitação, empréstimos
para automóveis e cartões de crédito, e isso vai deprimir ainda mais a
atividade econômica. O medo também está afetando profundamente os consumidores
dos EUA e, neste momento, eles estão acumulando dinheiro em um ritmo que remonta
os anos de 1980.
O Bureau de Análise Econômica do governo dos
Estados Unidos informou quinta-feira que a taxa de poupança subiu para 13,1% em
março, acima dos 8% em fevereiro. Existem dezenas de milhões de americanos que
já gastaram suas economias e não podem acumular dinheiro porque não têm mais.
De acordo com uma nova pesquisa, muitos desses americanos agora se veem
incapazes de pagar o aluguel, a hipoteca ou as contas de serviços públicos.
Aproximadamente, 41% dos adultos em idade de
trabalhar dizem que suas famílias sofreram uma perda de emprego, uma diminuição
nas horas de trabalho ou outras reduções de renda relacionadas ao emprego nas
últimas semanas. De acordo com uma
nova análise do Urban Institute. A angústia financeira em todo o país demonstra
que 4 em cada 10 americanos, cujo trabalho foi afetado pela pandemia, disseram
que não serão capazes de pagar o aluguel, a hipoteca ou as contas de serviços
públicos, ou a assistência médica, pois corriam o risco de passar fome.
O COVID-19 acabou sendo a agulha que estourou a
bolha econômica alimentada por dívidas que tanto falamos aqui no Jornal O
Impacto. Essa depressão econômica não terminaria mesmo se a pandemia de
coronavírus desaparecesse de repente agora. Os dominós econômicos estão caindo.
Todo o momento econômico está nos levando em apenas uma direção, e ninguém será
capaz de reverter esse processo.
É apenas uma questão de tempo até que “grandes
distúrbios civis” comecem. Hoje um grupo armado
tomou posse do parlamento de Michigan.
A economia alimentada por dívidas e nosso sistema financeiro do "Esquema
Ponzi", que não é sustentável a longo prazo. Muitos economistas alertavam há
anos que o mundo enfrentaria este cenário.
A vontade agora era poder dizer que tudo vai ficar
bem e os líderes serão capazes de consertar nossa economia destruída, mas não
podemos. Não existe almoço grátis, como bem explicado na obra de 1966, do
escritor Robert A. Heinlein cujo título era "A Lua é uma dura
senhora".

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